terça-feira, 15 de janeiro de 2019

APLO assume a tradução de orientações dirigidas a países de baixo ou médio rendimento

Optometristas portugueses promovem melhor saúde visual em contexto escolar
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) é a organização responsável pela tradução para português da “Norma de orientação para a saúde escolar da visão em países de baixo ou médio rendimento”, um documento elaborado pelo Grupo de Trabalho para a Saúde Escolar da Visão da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB).
O objetivo desta norma, segundo a IAPB, passa por fornecer orientações dirigidas a profissionais prestadores dos cuidados de saúde visual, professores, pais, autoridades de saúde, entre outros, no que respeita ao planeamento e implementação de iniciativas de saúde da visão em contextos escolares onde os recursos são limitados.
Segundo Raúl Sousa, presidente da APLO, “o papel dos optometristas é fundamental, tal como é descrito na norma, na promoção e prevenção da saúde visual, assim como na intervenção para a restaurar”. Desta forma, destaca o especialista, “a tradução realizada pela APLO representa mais um contributo dos optometristas portugueses no combate da deficiência visual e cegueira no mundo”.
O presidente da APLO refere ainda que “esta é mais uma prova do empenho e competência que os optometristas têm na garantia de uma melhoria da saúde visual de todos nós, um facto que as instâncias legislativas não devem descurar”.
O documento pode ser consultado no site da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira: https://www.iapb.org/wp-content/uploads/Guidelines-School-Eye-Health-Programmes-Portuguese.pdf

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Um Ano Novo melhor para quem precisa da Segurança Social

Um Ano Novo melhor para quem precisa da Segurança Social
Cada vez somos mais um país de “faz de conta”. Temos sempre no papel as melhores leis, que nos garantem segurança e confiança no Estado, que nos leva metade do salário com a promessa de uma velhice descansada e sem atropelos. Não é preciso estar muito atento para se perceber que os idosos em Portugal não são bem tratados. Se chegam a esta etapa da vida sem terem criado laços fortes de cumplicidade e afeto com familiares e amigos, a fria solidão invade-os sem piedade, de braço dado com a miséria absoluta.
Ser médico é muito mais do que fazer o diagnóstico e passar a receita. Muitas vezes, é importante dar a palavra amiga, falar dos netos e partilhar preocupações, para que o doente se sinta melhor logo à saída do consultório. Também é preciso ter a noção se o orçamento daquela pessoa comporta o valor da nossa prescrição. Por exemplo, se se trata de uma pneumonia ou outra infeção importante, não estando garantida a toma do antibiótico, há razão suficiente para o internamento hospitalar. Portanto, o exercício da medicina implica também ter em conta a componente social de cada indivíduo, sem o qual não é conseguido um tratamento completo. Sempre foi assim e continuará a ser.
Mas, nos tempos que vivemos, em que a incapacidade da Segurança Social é gritante, há cada vez mais pessoas sem doença a encherem os hospitais e a, potencialmente, comprometerem a resposta aos doentes reais, no serviço de urgência ou no internamento. Faria todo o sentido que voltássemos a ter um único Ministério da Saúde e da Segurança Social, tal a forma crescente em que os problemas sociais e de saúde se embrincam e confundem.
A Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares realizou um estudo referido ao dia 19 de fevereiro do presente ano, com a colaboração de 74 por cento dos hospitais do SNS, em que concluiu que havia 960 camas com internamentos sociais, o que correspondia a 6 por cento das camas disponíveis, 50 por cento deles nos Serviços de Medicina Interna, com uma demora média de 67 dias. Tenho a firme convicção que este número está subavaliado, não só porque há ainda 26 por cento de hospitais do SNS que não foram incluídos, mas também porque é difícil obter uma informação clara acerca do momento em que o doente tem alta clínica.
Há algum tempo foram mudadas as regras dos lares de idosos. Quisemos fazê-los fantásticos, mas muitos não cumpriram as obrigações impostas, e foram fechados com estrondo. Agora a Segurança Social não consegue responder às solicitações e o tempo de resposta para colocação em lares é superior a 6 meses.
Quase todos os dias, entram no Serviço de Urgência casos puramente sociais, trazidos pela polícia, pelos bombeiros ou até pela assistente social da zona, que recorre com o utente ao hospital, numa tentativa desesperada de resolver um problema que se arrasta há meses. Quando o chefe de equipa resolve acionar o número da “Emergência Social”, depara-se com o vazio de soluções, que muitas vezes se resumem a uma ou duas noites numa pensão. Quando a única solução é a institucionalização em lar, tem de se internar o velhinho. Lá vai mais um, outros seis meses de espera, num internamento inapropriado.
Há doentes que vão para a Rede de Cuidados Continuados (RCC), por ser mais fácil conseguir lá a sua colocação do que num lar. A RCC “só” demora 2 meses a dar resposta… Depois, conseguida a recuperação possível, é a Unidade de Cuidados Continuados que se defronta com o problema social. Não há retaguarda familiar, nem dinheiro, nem casa. E lá fica o idoso, meses e meses, a comprometer ainda mais a resposta da RCC.
Acredito que o nível civilizacional de um país se pode aferir com a forma como trata os seus idosos. Com a nossa evolução demográfica, devíamos sentir a obrigação de os tratar bem. É um bom desejo de Ano Novo, que passemos a tratá-los melhor. Para isso, são precisos meios materiais e humanos. O “faz de conta” deve ser reservado para o teatro e para as histórias de encantar. No país real, queremos que todos possam viver com dignidade. Os velhos e os novos.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Hospitalização domiciliária traz benefícios para o doente agudo

Hospitalização domiciliária traz benefícios para o doente agudo
Hoje assistimos a um aumento da esperança média de vida, para a qual têm contribuído as melhorias das condições de higiene e dos cuidados de saúde prestados no último século. Consequentemente, assiste-se ao envelhecimento da população, que se associa a um acréscimo da prevalência das doenças crónicas, o que representa neste momento um problema transversal aos sistemas de saúde do mundo ocidental, conduzindo a uma sobrelotação dos serviços de urgência e à solicitação crescente do número de camas hospitalares.
Como resposta, têm-se desenvolvido diversas alternativas ao internamento convencional. Para os especialistas em Medicina Interna, a solução passa pela hospitalização domiciliária, uma opção de qualidade, segura, eficaz e de custo-efetivo.
Este conceito surgiu pela primeira vez em 1947, nos Estados Unidos da América, com a experiência “Home Care”, que visava descongestionar os hospitais, assim como criar um ambiente psicológico mais favorável para o doente. Já a primeira unidade a operar neste âmbito chegou à Europa apenas em 1957, a um hospital francês, sendo que no ano de 1996, o Comité Regional da Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS) promoveu o desenvolvimento do “Hospital para Cuidados de Saúde”, também conhecido como “hospital em casa”, seguindo o modelo americano.
A hospitalização domiciliária define-se assim como um modelo de assistência hospitalar direcionado para a prestação de cuidados no domicílio a doentes agudos, cujas condições biológicas, psicológicas e sociais o permitam. O seu público-alvo centra-se numa população maioritariamente idosa, com elevada prevalência de doenças crónicas e com diversas patologias.
Focadas no tratamento agudo de um conjunto variado de doenças, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, Insuficiência Cardíaca Crónica, Pneumonia, infeções adquiridas na comunidade ou hospitalar, etc., as Unidades de Hospitalização Domiciliário (UHD) assentam em cinco princípios fundamentais: voluntariedade na aceitação do modelo, igualdade de direitos e deveres do doente, equivalência de qualidade na prestação dos cuidados, rigor na admissão de doentes e no seu seguimento clínico, humanização de serviços e valorização do papel da família.
Perante uma realidade onde se insere o doente complexo, com múltiplas doenças, o médico que lidera uma UHD deverá ter uma formação generalista e uma visão holística do doente, pelo que os especialistas em Medicina Interna se afiguram com o perfil recomendado.
Atualmente a hospitalização domiciliária detém dois modelos possíveis que podem ser adotados em separados: um que substitui completamente a admissão de doentes, referenciando os doentes diretamente do serviço de urgência e/ou comunidade; e outro que facilita a redução da estadia hospitalar e recruta os doentes nas enfermarias após um período de estabilização clínica inicial. Contudo, é frequente a adoção de um modelo misto, dependente das necessidades do hospital.
Ainda assim, os candidatos com potencial para serem internados no domicílio são geralmente detetados nas urgências. Após esta identificação, é necessário haver um diagnóstico definido, a sua estabilidade clínica, bem como a possibilidade de controlar as co-morbilidades no domicílio. Após esta referenciação, o doente é submetido a uma avaliação em três eixos: médico, enfermeiro e assistente social (este último avalia as condições da casa onde o doente ficará).
Os resultados alcançados com este modelo são atualmente bastante positivos. Não só garantem a satisfação do utente, como na grande maioria dos casos apresenta estabilidade após a avaliação subsequente, sem necessidade de reinternamento hospitalar.
Procura-se assim contribuir para serviços hospitalares sem muros, garantir mais e melhores acessos aos cuidados de saúde, reduzir as complicações inerentes ao internamento convencional (como as quedas, as infeções nosocomiais e os quadros confusionais agudos), criar um entorno psicológico mais favorável ao doente, durante o período de tratamento, e valorizar o papel da família/cuidador, prevenindo a rejeição, o abandono e a institucionalização.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Um trauma vai muito além do medo

Artigo de Opinião de Sandra Neves, Psiquiatra da UPPC
Perturbação de Stress Pós-Traumático dificulta o relacionamento interpessoal
Um trauma vai muito além do medo
A Perturbação de Stress Pós-Traumático, mais conhecida pela sua sigla em inglês PTSD (Post Traumatic Stress Disorder), é a designação para uma perturbação mental que parece resultar de uma hiperativação dos mecanismos de resposta ao medo.
Esta manifesta-se, normalmente, no primeiro mês após um evento traumático, mas por vezes pode passar um ano até que isso aconteça. Segundos os estudos, mediante acontecimentos potencialmente traumáticos, é muito frequente encontrar na maioria das pessoas expostas sintomatologia significativa, mas em mais de 90 por cento esta acaba por ser atenuada ao longo das seis semanas seguintes.
Os sintomas da Perturbação de Stress Pós-Traumático agrupam-se em quatro tipos fundamentais: pensamentos intrusivos, evitações, mudanças negativas no conteúdo dos pensamentos e no humor, e mudanças nas reações físicas e emocionais. Estes podem variar com o tempo e de pessoa para pessoa.
Podem, desta forma, surgir pensamentos intrusivos, recorrentes, angustiantes e involuntários sobre o acontecimento traumático, sensação de estar a reviver o acontecimento, muitas vezes com verdadeiros flashbacks, sonhos perturbadores ou pesadelos relacionados com o trauma e sensação de angústia intensa ou reações físicas perante situações que recordem, de alguma forma, o acontecimento traumático. Os sintomas de evitação podem passar por não falar do acontecimento e mesmo “evitar pensar”, evitar lugares, atividades ou pessoas que façam recordar o sucedido. Para além de toda esta sintomatologia, podem surgir pensamentos negativos acerca de si próprio, das outras pessoas e do mundo em geral, bem como desesperança face ao futuro. A memória pode também ser afetada e muitas vezes as pessoas não recordam aspetos importantes sobre o acontecimento traumático.
Estas manifestações tendem a provocar problemas consideráveis na qualidade de vida dos doentes com PTSD, dos quais se destacam: as dificuldades que surgem em manter as relações interpessoais; a sensação de “distância” de familiares e amigos; a descrição de se sentirem “insensíveis emocionalmente”; a dificuldade muitas vezes relatada em sentir “emoções positivas”; ou a falta de interesse pelas atividades que anteriormente eram gratificantes.
Para além de tudo isto, o doente relata muitos sintomas que se relacionam com o estado de hipervigilância, tais como assustar-se facilmente, estar sempre alerta para uma eventual situação de perigo, queixas de dificuldade de concentração, perturbações do sono, irritabilidade, ataques de raiva ou manifestação de comportamentos agressivos e até mesmo conduta autodestrutiva como conduzir em excesso de velocidade e sem cuidado ou beber em excesso. Muitas vezes a todos os sintomas referidos ainda se juntam sentimentos de culpa ou de fraqueza, tornando o dia a dia destes doentes extremamente penoso.
Todos estes sintomas podem ainda variar de intensidade ao longo do tempo, podendo por exemplo ser mais intensos em fases da vida de maior stress e preocupação, ou quando se ouvem determinados barulhos, se assiste a condições meteorológicas adversas ou a notícias sobre a guerra, assaltos, violações e acidentes na televisão. Quadros intensos podem culminar mesmo em ideação suicida, sendo urgente obter ajuda para o doente.
Convém referir que nem todos os casos preenchem os critérios necessários para fazer o diagnóstico de PTSD, não significando por isso que o quadro clínico não afete de igual forma o doente, diminuindo-lhe a qualidade de vida e acarretando dor e sofrimento. Em suma, uma experiência traumática poderá trazer eventuais consequências positivas, tais como a reorganização da vida pessoal, dos seus valores e objetivos.
Para além do sofrimento e da diminuição da qualidade de vida, também o núcleo de familiares e amigos do doente acaba por ser atingido. Por isso, é essencial o reconhecimento e a orientação destes casos para os profissionais de saúde mental. A instituição de medicação psicofarmacológica por psiquiatras e o apoio psicoterapêutico instituídos precocemente poderão mudar o rumo de muitas vidas, melhorando a saúde global e devolvendo sorrisos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Doentes nas urgências aumentam mais de 30 por cento em dezembro

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) assinala em dezembro, pela primeira vez, o Mês da Medicina Interna, com o objetivo de destacar a importância desta especialidade médica no contexto hospitalar. Esta iniciativa insere-se nas comemorações do 67º aniversário da SPMI.
“Em dezembro, os Serviços de Medicina Interna têm de responder ao aumento das necessidades de internamento do Serviço de Urgência, que aumentam a sua lotação em mais de 30 por cento. Tantos doentes a mais são tratados com o mesmo número de internistas, sem qualquer compensação adicional, mantendo a qualidade assistencial”, explica João Araújo Correia, presidente da SPMI.
E acrescenta que “o doente agudo grave ou menos grave, e o que é portador de doença crónica descompensada, todos recorrem ao Serviço de Urgência do hospital, onde se sentem seguros e confiantes nas mãos dos internistas. Mesmo em dezembro, quando as doenças se multiplicam, a Medicina Interna está sempre lá. Os portugueses podem continuar a contar com a dedicação dos internistas.”
É também em dezembro, no dia 14, que a SPMI assinala o seu aniversário: “Atualmente somos a maior Sociedade Científica Médica Portuguesa (com 2500 sócios) e o nosso crescimento é imparável, com 940 internos em formação”, conclui João Araújo Correia.
A Medicina Interna é já a maior especialidade médica hospitalar, representando 13% do total. A vocação do internista para o tratamento do doente agudo ou crónico complexo faz com que possa trabalhar com qualidade em vários cenários, desde a emergência, à urgência, ao internamento (hospitalar ou domiciliário), às Unidades Intensivas e Intermédias, ou ainda nos Cuidados Continuados e Paliativos.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Doença VIH: mais vida com qualidade

Dia Mundial de Luta Contra a SIDA assinala-se a 1 de dezembro
Doença VIH: mais vida com qualidade
A Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, comumente conhecida como SIDA, é uma doença provocada pela transmissão do vírus da imunodeficiência humana (VIH), que infeta o sistema imunitário da pessoa. Este agente é responsável por destruir as células defensoras do organismo, que ao longo do tempo vão perdendo a capacidade de reposição, deixando o indivíduo desprotegido e mais propenso a contrair outras infeções e doenças mais graves.
Esta doença carateriza-se pelo seu desenvolvimento tardio e sintomas silenciosos, fatores que dificultam a sua detenção. Numa primeira fase, em que o organismo tenta combater o vírus que se vai multiplicando de forma exponencial, o paciente é considerado seropositivo. Passados, em média, oito a dez anos, dependendo de pessoa para pessoa, começam a surgir as primeiras manifestações indicadoras da presença de SIDA, nomeadamente o surgimento de infeções e tumores que podem levar a complicações mais graves ou até mesmo à morte.
A transmissão do VIH é feita quando sangue, sémen, fluídos vaginais ou leite materno provenientes de uma pessoa infetada entram diretamente em contacto com terceiros. Em termos práticos, este vírus é transmitido através daquilo a que consideramos comportamentos de risco. São eles a prática de contactos sexuais sem a utilização de preservativo masculino e/ou feminino; a partilha de seringas utilizadas para a injeção de drogas; e o contacto direto com sangue infetado, principalmente na utilização de objetos de outras pessoas, tais como lâminas ou máquinas de barbear/depilar, agulhas de tatuagem e de piercing, escovas de dentes, etc.
Importa ainda referir a possibilidade de o vírus da imunodeficiência humana ser transmitido durante a gravidez, bem como no parto ou até no processo de amamentação. Contudo, existem tratamentos destinados à redução deste risco.
Sendo a SIDA uma doença crónica que afeta as defesas do nosso organismo, esta acaba por ter um impacto muito negativo nos diversos órgãos ou sistemas do corpo humano: desde alterações cognitivas às demências, da aterosclerose ao enfarte agudo do miocárdio, à doença renal crónica, entre muitos mais.
E é aqui que o internista tem um papel crucial, uma vez que consegue ver o doente como um todo e é capaz de abordar a doença nos seus diversos aspetos e estádios, perante o envolvimento de qualquer órgão, e utilizar as múltiplas terapêuticas disponíveis. Atualmente, em Portugal, existem vários serviços, unidades e consultas que se dedicam ao acompanhamento de doente com VIH, e que são formados por equipas multidisciplinares, onde estão internistas, infeciologistas, pediatras e alguns médicos de outras especialidades.
Ao nível do tratamento, apesar de ainda não existir uma cura para a SIDA, têm havido grandes avanços terapêuticos nos últimos anos. Assim, temos medicação potente, eficaz, com diminutos efeitos secundários e de fácil posologia, na maior parte das situações com um só comprimido diário, permitindo uma qualidade de vida e uma longevidade do indivíduo, praticamente sobreponível ao não seropositivo.
Segundo o relatório “Infeção VIH e SIDA | Desafios e Estratégias 2018” da Direção-Geral de Saúde, que apresenta dados do ano de 2016, 91,70 por cento das pessoas infetadas pelo vírus da imunodeficiência humana estão diagnosticadas, das quais 86,80 por cento estão a ser tratadas. Isto só prova que tanto os investigadores, como os profissionais de saúde, assim como as instâncias governamentais e outras instituições têm trabalhado no combate a esta doença, seja através da descoberta de novos tratamentos, ou até mesmo da adoção de novas estratégias de rastreio e políticas de suporte ao doente (o acesso ao tratamento da SIDA é gratuito).
Ainda assim, é indispensável continuar a apostar na consciencialização da população para a diagnóstico e prevenção de uma doença que apresenta 1000 novos casos todos os anos.
No caso do diagnóstico, este deve ser feito o mais precocemente possível, não só para garantir uma intervenção clínica mais eficaz, assim como para reduzir o risco de contaminar outros indivíduos. O diagnóstico pode ser feito por prescrição de um médico de família ou médico assistente, ou então pode optar-se por se realizar num Centro de Aconselhamento e Deteção Precoce do VIH/SIDA (CAD).
Como comportamentos preventivos, recomenda-se a utilização de preservativo durante as relações sexuais; a não reutilização ou partilha de seringas, no caso de o indivíduo ser utilizador de drogas injetáveis; e a realização de um teste para a infeção do VIH, caso suspeite que tenha sido infetado.

Artigo de Opinião de Telo Faria, Coordenador do NEDVIH


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Coaching atenua sintomas de hiperatividade e défice de atenção no adulto

Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra disponibiliza nova consulta
Coaching atenua sintomas de hiperatividade e défice de atenção no adulto
A Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra (UPPC) disponibiliza, a partir de hoje, uma consulta de coaching para adultos com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA). Esta terapêutica visa promover o bem-estar da pessoa e ajudá-la a gerir as limitações ou fragilidades associadas à doença.
“A pessoa que sofre de PHDA confronta-se frequentemente com dificuldades em diversas áreas funcionais, nomeadamente ao nível académico, vocacional, emocional e interpessoal, resultantes da interferência sintomatológica desta perturbação, que é particularmente notória no que respeita às competências de planeamento, gestão do tempo, definição de objetivos, organização e resolução de problemas”, explica Gisela Gracioso, psicóloga da UPPC responsável por esta consulta.
Para fazer face a estas dificuldades, acrescenta a especialista, “esta consulta foca-se no desenvolvimento de competências práticas que ajudam o indivíduo a ultrapassar as necessidades do dia a dia, para assim melhorar diversos aspetos da sua vida, como o stress, o controlo emocional, a gestão do tempo e concentração, a autoestima, e muito mais”.
Após o processo de definição de objetivos e de psicoeducação, a intervenção dura entre 10 a 20 sessões, e termina com a avaliação dos ganhos terapêuticos. Nesta fase, o psicólogo, em conjunto com o paciente, decide se é necessária uma redefinição das necessidades de intervenção ou se o processo de acompanhamento se conclui.
A PHDA é uma doença neuropsiquiátrica crónica na qual se verificam alterações no funcionamento cerebral e cognitivo, que resultam na desatenção, agitação motora e impulsividade invulgares para a idade do indivíduo. Estima-se que cerca de quatro por cento dos adultos sofre desta perturbação. Os sintomas mais comuns são a desorganização e incapacidade de foco, a inquietação motora, a tomada de decisões precipitadas, a dificuldade em realizar atividades que requeiram calma e esforço mental, a comunicação excessiva, entre outros.

Dia Mundial da Adesão - 40% dos doentes em Portugal não cumprem a medicação de forma consistente

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