quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Más posturas no trabalho aumentam o risco de lombalgia

Artigo de opinião de Miguel Casimiro, neurocirurgião e presidente da SPPCV
Más posturas no trabalho aumentam o risco de lombalgia
Setembro é o mês do regresso ao trabalho. Após alguns dias ou semanas de férias voltamos ao nosso local de trabalho com uma nova energia, mas há coisas que tendem a não mudar: os maus hábitos. Falo especificamente dos comportamentos ou posturas incorretas que acarretam consequências para a nossa coluna, entre elas a lombalgia.
Comumente conhecida como “dor nas costas”, a lombalgia carateriza-se por uma dor, tensão ou desconforto na região lombar inferior (área da coluna próxima da bacia), com ou sem irradiação para os membros inferiores. Estima-se que perto de 80 por cento das pessoas tenham pelo menos um episódio de dor lombar ao longo da sua vida, podendo esta ser causada por uma doença da coluna (na sua maioria degenerativa, como é o caso da osteoporose), por um acidente, por esforço, por más posturas, entre outros.
Existem três tipos de lombalgia: a lombalgia aguda, que ocorre quando a dor intensa surge subitamente e tem uma duração máxima de 6 semanas; a lombalgia subaguda, em que a dor permanece entre 6 a 12 semanas; e a lombalgia crónica, na qual a dor se agrava e tem uma duração superior a 12 semanas.
A sua classificação é importante para a adequação do tratamento, que inclui, sobretudo, repouso, administração de medicação anti-inflamatória e sessões de fisioterapia. Só em casos muito raros e crónicos é feita uma intervenção cirúrgica.
O local de trabalho é um dos principais fatores de risco.
As dores nas costas surgem muitas vezes como consequência do trabalho diário que executamos. Por um lado, existem profissões que implicam um esforço físico elevado, sobretudo na carga de objetos pesados. Por outro lado, a maioria das profissões implicam estar sentado em frente a uma secretária pelo menos 8 horas por dia, de forma contínua e com posturas pouco corretas para a saúde da nossa coluna. A acrescentar a estes fatores estão ainda o stress relacionado com o trabalho, a ansiedade, a depressão, o processo de envelhecimento, o sedentarismo, a obesidade e o tabagismo.
Apesar de passageira na maioria dos casos, a lombalgia manifesta-se de forma intensa e até mesmo incapacitante, prejudicando a qualidade de vida e de trabalho da pessoa. Para além disso, esta dor é também uma das principais causas de ida ao médico e ausência do trabalho.
Melhorar a postura reduz o risco de sofrer de lombalgia.
O primeiro passo para combater a lombalgia é a sua prevenção. Apesar de não conseguirmos evitar na totalidade o seu aparecimento, é possível reduzir o risco através da correção dos seguintes fatores: adotar uma alimentação saudável, por forma a controlar o seu peso; praticar atividade física regularmente, com caminhar, correr, andar de bicicleta ou fazer natação; fazer exercícios como o yoga, que ajudam a fortalecer a musculatura vertebral, a promover a elasticidade, e a reduzir os níveis de stress; e não fumar.
Já no local de trabalho, deverá mudar alguns dos seus comportamentos e corrigir a postura:
  • Evite carregar com pesos muito elevados e, quando tiver de mover objetos pousados no chão, opte por fletir as pernas ao invés de dobrar as costas;
  • Quando está sentado, mantenha a coluna direita e encostada às costas da cadeira, sem esquecer que os pés devem estar pousados no chão e os joelhos deverão estar fletidos num ângulo de 90°;
  • Se trabalha com um computador, coloque o monitor ao nível dos olhos e à distância do comprimento do braço;
  • Coloque o teclado e o rato perto de si, assim como outros objetos que utiliza com frequência;
  • Se tiver de trabalhar e falar ao telefone em simultâneo, use um par de auscultadores ou auriculares, de modo a evitar segurar o telemóvel ou telefone entre o ombro e a cabeça;
  • Para evitar estar na mesma posição durante muito tempo, levante-se a cada hora, e aproveite para fazer alguns alongamentos (o mesmo se aplica para as profissões que requerem uma condução automóvel contínua);
  • No caso das mulheres, evite ao máximo a utilização de calçado com salto alto;
  • Quando caminhar, mantenha a cabeça e o tronco direitos e distribua o peso de igual forma pelas duas pernas.

Sobre a SPPCV
A Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, fundada em 2003, é uma associação científica, sem fins lucrativos. Tem por objeto a promoção, o estudo, a investigação e a divulgação das questões inerentes à problemática da prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias da coluna vertebral. Para mais informações consulte http://sppcv.org/

Sente dor no joelho ao pedalar ?

O joelho é, sem dúvida, a articulação do corpo mais exigida durante o pedal. Considerado o calcanhar de Aquiles dos ciclistas, é preciso sempre estar atento a dores localizadas. Elas possivelmente são indício de algum problema que, se não tratado prontamente, pode se tornar crônico devido ao esforço repetitivo. É o caso da condromalácia patelar, uma das lesões mais comuns em joelhos de ciclistas. A seguir, o dr. Moisés Cohen, chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo e diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte, explica o que é e como prevenir a dor no joelho ao pedalar.

O QUE É

A condromalácia ou condropatia patelar é uma lesão crônica e degenerativa que danifica a cartilagem articular da patela, comprometendo sua estrutura. Ela pode acometer desde a superfície até as camadas mais profundas, chegando até a exposição do osso subcondral (osso abaixo da cartilagem).

DIAGNÓSTICO

A lesão é caracterizada por dor na região anterior do joelho, associada à crepitação (barulho no joelho) e/ou ao derrame articular — nos casos mais avançados, pode haver bloqueio da articulação. A partir do sintoma, deve-se fazer a avaliação clínica, com auxílio de ressonância, que detalha a localização, extensão e profundidade da lesão.

CAUSAS

A sobrecarga de atividade física, o desequilíbrio muscular por falta de fortalecimento e alongamento, os desvios de eixo do membro inferior (joelhos para dentro ou joelho valgo) e a presença de alterações na anatomia normal do joelho são fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento da condromalácia patelar.

TRATAMENTO

O tratamento, na maioria dos casos, é conservador. Indica-se fisioterapia especializada e um posterior trabalho de fortalecimento e alongamento muscular específico para o problema. A intervenção cirúrgica só é necessária em casos avançados da lesão, nos quais não se obteve boa resposta com o tratamento conservador.

PREVENÇÃO

A prevenção deve ser feita com a identificação e correção — quando possível — dos fatores de risco. Além disso, exercícios de fortalecimento e alongamento muscular, quando frequentes e direcionados, contribuem para evitar a lesão ou sua progressão — nesse caso, é fundamental que eles sejam orientados levando em conta os déficits encontrados na avaliação feita pelo fisioterapeuta.

Fortalecimento

Exercícios para o fortalecimento da musculatura abdominal e do quadril são muito importantes, pois auxiliam na estabilidade do tronco e da bacia, o que interfere diretamente na posição dos joelhos. Assim, devem-se fortalecer glúteos, isquiotibiais (posteriores da coxa) e adutores, além dos abdominais e dos músculos ao redor da cintura.

Deite-se de costas no chão, com os joelhos flexionados e os pés apoiados no solo, seguindo a largura do quadril. Os braços devem ficar estendidos ao lado do tronco, com as palmas das mãos voltadas para baixo. Estenda o quadril, elevando primeiro a lombar e depois o tronco. Após estendido, o quadril deve ficar numa linha reta em relação ao tronco e às pernas — sem ultrapassar essa linha —, de modo que o peso do corpo se concentre no abdômen, glúteo e isquiotibiais. Depois, retorne à posição inicial, apoiando novamente o tronco no solo, mas sem deixar a lombar encostar no chão. Realize três séries de 15 repetições do movimento, com descanso de 30 segundos entre as séries — se estiver muito fácil, a dica é colocar peso extra sobre o abdômen para dificultar.
Deite-se de costas no chão, com os joelhos flexionados e pés apoiados no solo, seguindo a largura do quadril. Coloque uma bola de borracha entre os joelhos (pode ser uma almofada ou travesseiro de espuma) e mantenha-a pressionada por 10 segundos. Repita esse procedimento por cinco vezes.

De pé, mantenha uma das pernas levemente flexionada. Tire o outro pé do chão, flexionando o joelho cerca de 30° — é importante não inclinar a bacia nem girar o joelho. Mantenha a posição por 30 segundos. Repita dez vezes intercalando as pernas (cinco vezes para cada lado).



Alongamento 

Os exercícios de alongamento devem abranger todos os grupos musculares dos membros inferiores — flexores, extensores, adutores e abdutores — e de preferência ser feitos com orientação de um profissional.

Sente-se no chão, flexione as pernas e junte as solas dos pés. Com os cotovelos, pressione os joelhos em direção ao chão o máximo que puder. Chegando ao seu limite, segure a posição por 30 segundos. 


Sente-se no chão, flexione uma das pernas por cima da outra estendida. Com o cotovelo do braço oposto, empurre o joelho para o lado contrário da perna, até o limite, e segure a posição por 30 segundos. Repita com a outra perna. 


Em pé, mantenha as pernas esticadas e incline o tronco para baixo, segurando os joelhos com as mãos. Se tiver maior flexibilidade, tente encostar as mãos nos pés ou mesmo no chão. Chegando ao seu limite, segure a posição por 30 segundos.  



Fique de pé sobre uma das pernas — pode ser apoiado na parede ou em outro suporte — e flexione a outra perna, puxando o respectivo pé com a mão do braço oposto, até sentir alongar a região anterior da coxa (quadríceps). Chegando ao seu limite, segure a posição por 30 segundos. Repita o procedimento com a outra perna. 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

APLO defende criação de plataforma para referenciar doentes com os oftalmologistas

APLO defende criação de plataforma para referenciar doentes com os oftalmologistas
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) defende a necessidade de serem implementadas soluções que permitam a redução do tempo de espera para consultas de Oftalmologia no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Uma dessas medidas passa pelo desenvolvimento de uma plataforma de referenciação entre optometristas e oftalmologistas baseada em cloud.
“No Moorfields Eye Hospital, no Reino Unido, foi estudado o efeito da implementação de uma plataforma de referenciação entre especialistas de Optometria e Oftalmologia baseada em cloud, com o propósito de evitar referenciações desnecessárias para os cuidados secundários”, afirma Raúl de Sousa, presidente da APLO.
Relativamente aos resultados desta investigação, o optometrista revela que “se verificou ser possível evitar mais de metade das referenciações realizadas, tendo sido as condições resolvidas ao nível dos cuidados primários”.
E acrescenta: “a cooperação entre optometristas e oftalmologistas é essencial para oferecer uma prestação de cuidados para a saúde da visão com qualidade, segurança e de forma atempada. Esta cooperação tem a vantagem de rentabilizar os recursos humanos existentes, aplicando-os nas suas áreas de ação de excelência, capitalizando as diferenças e particularidades da sua formação específica”.
Segundo o mais recente Relatório Anual de Acesso aos Cuidados de Saúde nos Estabelecimentos do SNS e Entidades Convencionadas referente ao ano de 2018, a Oftalmologia está entre as especialidades hospitalares que ultrapassam em maior medida os tempos máximos de espera para consultas.
Perante este cenário, já apontado no início do ano por um estudo da Nova Healthcare Initiative – Research, da Universidade Nova de Lisboa, no qual se concluiu que o tempo de espera para uma consulta de Oftalmologia no SNS está entre os seis meses e aproximadamente três anos, a direção da APLO reitera que “a redução significativa é possível apenas com a introdução de uma plataforma informática de referenciação entre optometristas e oftalmologistas, o que constituiria uma evolução significativa na prestação de cuidados para a saúde da visão em Portugal, assim como integrando os optometristas nos cuidados primários do SNS, tal como indicam os estudos mencionados”.
Mais informações sobre o estudo Moorfields Eye Hospital podem ser consultas em: https://bjo.bmj.com/content/early/2019/07/18/bjophthalmol-2019-314161

Sobre a APLO
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) representa os Optometristas, a maior classe profissional de prestadores de cuidados para a saúde da visão, em Portugal. Atualmente conta com cerca de 1.203 membros. A APLO é membro Fundador da Academia Europeia de Optometria e Ótica, membro do Conselho Europeu de Optometria e Ótica e membro do Conselho Mundial de Optometria. Para mais informações, consulte: www.aplo.pt

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Viagens prolongadas de avião aumentam risco de tromboembolismo venoso




NEDVP dá recomendações para prevenir a formação de coágulos sanguíneos
Viagens prolongadas de avião aumentam risco de tromboembolismo venoso
O Núcleo de Estudos de Doença Vascular Pulmonar (NEDVP) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) alerta a população para o aumento do risco de sofrer tromboembolismo venoso durante e após viagens de avião de longa distância. Estima-se que, anualmente, 3,2 em cada 1000 pessoas expostas a este cenário sofram deste problema.
“Sabe-se que o risco de desenvolver um tromboembolismo venoso é maior quando a viagem tem uma duração superior a quatro horas e nas duas semanas imediatamente a seguir à viagem, reduzindo progressivamente até às oito semanas seguintes”, destaca Ana Oliveira Gomes, membro do secretariado do NEDVP.
Segundo a internista, “as viagens longas favorecem esta condição, que inclui a embolia pulmonar e a trombose venosa profunda. A trombose venosa profunda ocorre quando se forma um trombo ou coágulo sanguíneo nas veias das pernas. Se esse coágulo se desprende ou fragmenta pode deslocar-se até aos pulmões e provocar uma embolia pulmonar”.
São fatores de risco para este problema de saúde história de tromboembolismo venoso prévio, neoplasia ativa, cirurgia ou trauma recentes, mobilidade reduzida, idade avançada, trombofilia, gravidez e período pós-parto, uso de medicação com estrogénios, como a pílula ou terapêutica hormonal de substituição na menopausa, altura maior a 1,85 metros ou inferior a 1,65 metros, e obesidade.
Para prevenir o desenvolvimento de um tromboembolismo venoso, o NEDVP deixa algumas recomendações que devem ser adotadas durante uma viagem de avião: “levantar-se e caminhar a cada uma ou duas horas; exercitar-se ou esticar as pernas com regularidade; evitar roupa apertada; beber água e evitar o consumo de álcool ou comprimidos sedativos”.
O Núcleo de Estudos de Doença Vascular Pulmonar tem desenvolvido nos últimos anos diversos materiais de educação sobre o tromboembolismo venoso dirigidos à população. Estes podem ser consultados em: https://www.spmi.pt/nucleo-estudos-doenca-vascular-pulmonar/

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Optometristas alertam para a importância de consultas da visão regulares

Campanha conta com a colaboração de municípios, escolas e universidades
Optometristas alertam para a importância de consultas da visão regulares
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) está a sensibilizar a população para a importância dos cuidados primários para a saúde da visão, através de uma campanha que conta com o apoio de cinco câmaras municipais e nove instituições de ensino secundário e superior.
Segundo Raúl de Sousa, presidente da APLO, “o lançamento desta campanha surge da necessidade de alertar as pessoas para as principais condições visuais e doenças oculares, bem como para as vantagens de realizar consultas da visão regularmente, sendo o seu principal benefício a deteção e tratamento precoces de diversos problemas da visão”.
Sobre a escolha das autarquias como ponto estratégico de divulgação desta campanha,  a APLO refere que “estas representam um ponto de contacto próximo com as populações locais, entre elas a população idosa, que atualmente representa um grupo de risco para o desenvolvimento de doenças como as cataratas, o glaucoma ou a degeneração macular relacionada com a idade, para além do facto de todos necessitarem de óculos para melhorar a visão devido à presbiopia ou dificuldade em visão de perto, que surge normalmente após os 45 anos”.
Por outro lado, acrescenta, “as escolas tornam-se pontos cruciais de promoção da saúde pública, onde se deve apostar fortemente na sensibilização das crianças e jovens, mas também dos professores e encarregados de educação, por forma a estarem atentos aos sinais de alerta para condições visuais que surgem, normalmente, nas primeiras duas décadas de vida, tais como a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo, entre outras”.
Esta campanha, que é apresentada com o mote “Uma boa visão exige o olhar de um profissional”, visa também promover o papel dos optometristas na prestação de cuidados primários da saúde da visão, sendo estes normalmente o primeiro ponto de contacto para a população que sofre de problemas da visão.

Sobre a APLO
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) representa os Optometristas, a maior classe profissional de prestadores de cuidados para a saúde da visão, em Portugal. Atualmente conta com cerca de 1.203 membros. A APLO é membro Fundador da Academia Europeia de Optometria e Ótica, membro do Conselho Europeu de Optometria e Ótica e membro do Conselho Mundial de Optometria. Para mais informações, consulte: www.aplo.pt
Lista de câmaras municipais parceiras da campanha:
Câmara Municipal de Castelo de Paiva
Câmara Municipal da Mealhada
Câmara Municipal de Porto de Mós
Câmara Municipal de Proença-a-Nova
Câmara Municipal de Silves

Lista de instituições de ensino parceiras da campanha:
Agrupamento de Escolas de Santa Bárbara
Escola de Ciências da Universidade do Minho
Escola Secundária de São Pedro da Cova
Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores
Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda
Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto
NOVA Medical School - Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa
Universidade da Beira Interior
Universidade do Algarve

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O calor aumenta, e o risco de desenvolver pé de atleta também

Artigo de opinião da Dra. Fátima Carvalho, podologista responsável pelo Centro Clínico do Pé de Amarante

Ozonoterapia promove a rápida diminuição dos sintomas de infeções nos pés

O calor aumenta, e o risco de desenvolver pé de atleta também

O verão traz consigo um maior risco de infeções dos pés, de elevado grau de contágio, como é o caso do pé de atleta. Aproveite o sol e o calor, faça praia, vá à piscina, mas não se esqueça de redobrar os cuidados com os seus pés, uma vez que os ambientes húmidos são propícios ao desenvolvimento de infeções contagiosas causadas por fungos.

O pé de atleta é uma infeção provocada pelos denominados fungos “dermatófitos” e pode transmitir-se facilmente através do contacto com superfícies ou objetos contaminados. Chuveiros públicos, piscinas e balneários são locais onde é frequente contrair esta infeção. Para além disso, a partilha de objetos pessoais, como calçado, toalhas, lençóis e roupa, é também um comportamento de risco que deve ser evitado.

Existem três tipos principais de pé de atleta: o vesicular, a forma mais grave e menos comum, em que se formam pequenas bolhas no dorso (peito) e na planta do pé, que podem rebentar e causar feridas; a forma plantar, que afeta, como o próprio nome indica, a planta do pé, mas também o calcanhar e a zona lateral; e o interdigital, o tipo mais comum, que ocorre nos espaços entre os dedos.

Estima-se que cerca de 15 a 25 por cento da população já tenha desenvolvido pé de atleta pelo menos uma vez na vida. Os desportistas são o grupo em que a infeção regista maior incidência, uma vez que utilizam balneários e chuveiros públicos com maior frequência.

Para prevenir este problema, a primeira recomendação passa por proteger-se enquanto utiliza os espaços referidos anteriormente. Para isso ser possível, evite andar descalço nestes ambientes, optando por utilizar chinelos ou sandálias.

Para além disto, tenha sempre o cuidado de: secar muito bem os pés, especialmente entre os dedos; lavar frequentemente as toalhas; usar meias limpas todos os dias e mudá-las, se estiverem húmidas ou depois de fazer desporto; optar por calçar meias de seda, lã ou algodão com extratos de algas e sais de prata, pois proporcionam elevado conforto e proteção ativa para os seus pés, sendo também indicadas para quem apresenta excessiva transpiração (fator proporcionador do desenvolvimento de fungos e bactérias).

Mas não se deixe enganar se pensa que os cuidados se aplicam somente fora de casa. Quando estiver no conforto do seu lar: tire os sapatos e deixe os pés “respirar”; lave frequentemente as toalhas; e, sempre que possível, calce sandálias ou sapatos feitos de materiais orgânicos sustentáveis, tais como cascas de maçã orgânica e cortiça (o couro e a lona também são boas opções).

Como em qualquer problema de saúde, uma deteção precoce é essencial para um tratamento mais fácil, rápido e eficaz. Esteja atento aos sintomas e não os ignore! São eles a comichão, vermelhidão, inflamação, descamação da pele, fissuras, mau cheiro, pele esbranquiçada e frágil e pele mais dura e grossa na planta do pé.

Uma vez adquirida a infeção, tenha cuidado com os outros, de forma a evitar a sua propagação. Mantenha os pés protegidos, lembre-se de usar toalhas diferentes para os pés e lave sempre as mãos depois de aplicar qualquer medicamento, para que a infeção não passe para outras partes do corpo.

Atualmente, a ozonoterapia podal é um dos métodos terapêuticos mais eficazes no tratamento do pé de atleta. Através da colocação de uma bolsa de ozono, o paciente começa rapidamente a sentir melhorias ao nível do alívio dos sintomas.

Caso detete alguns dos sintomas de pé de atleta, consulte um podologista, para que este possa fazer um correto diagnóstico e avaliar qual o tratamento mais adequado para si.



Sobre o Centro Clínico do Pé de Amarante

O Centro Clínico do Pé de Amarante, localizado na Unidade de Cuidados Integrados da Santa Casa da Misericórdia deste concelho, tem como missão proporcionar um serviço de excelência na prestação de cuidados de podologia que garantam a saúde e bem-estar do pé. Para mais informações, consulte: http://centroclinicodope.pt/

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