sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Dor crónica afeta um em cada três portugueses



Dor crónica afeta um em cada três portugueses

Plataforma nacional propõe melhoria das condições de trabalho das pessoas com dor crónica

A Plataforma SIP Portugal quer promover um conjunto de medidas urgentes para a melhoria das condições de trabalho das pessoas com dor crónica. A implementação destas recomendações visa diminuir o absentismo e presenteísmo laboral, as mudanças de emprego, as reformas antecipadas e as pensões por incapacidade.

De acordo com Ana Pedro, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) e responsável pela coordenação científica da Plataforma, é imperativo “apostar em medidas que promovam a capacitação produtiva para o trabalho da pessoa com dor crónica, nomeadamente a adaptação e flexibilidade nos horários de trabalho; a adaptação do posto de trabalho e a promoção de condições ergonómicas; a possibilidade de realizar o trabalho a partir de casa; a aposta na formação e consciencialização sobre a problemática da dor em contexto laboral; a criação de grupos de suporte para pessoas com dor crónica dentro de uma empresa”.

Estima-se que a dor crónica afete cerca de 36,7 por cento da população portuguesa, sendo a segunda doença mais prevalente no país.

As medidas propostas pela SIP Portugal serão apresentadas hoje, Dia Nacional de Luta Contra a Dor, na Fundação Calouste Gulbenkian. Esta iniciativa vai contar com a partilha de diversos testemunhos de doentes relacionados com os obstáculos e desafios da empregabilidade, assim como boas práticas das empresas portuguesas neste âmbito.

A SIP Portugal é uma plataforma nacional com a coordenação científica da APED e o apoio da empresa Grünenthal, constituída por representantes de organizações, sociedades científicas e associações de doentes que, em conjunto, partilham a mesma missão: reduzir o impacto social da dor crónica nos portugueses.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Associação portuguesa participa na elaboração do primeiro relatório mundial sobre a visão

Associação portuguesa participa na elaboração do primeiro relatório mundial sobre a visão
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou este mês o seu primeiro relatório mundial sobre a visão. A elaboração deste documento contou com a colaboração da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO).
O principal objetivo do relatório passa por aumentar a consciencialização da sociedade para os problemas que afetam a saúde da visão, assim como sensibilizar a classe política para a necessidade de fortalecer os cuidados de saúde a nível mundial, nomeadamente no investimento nos cuidados de saúde primários.
Um dos principais pontos sublinhados neste documento, refere o presidente da APLO, Raúl de Sousa, “é o facto da Optometria ainda não ser reconhecida como uma profissão importante na prestação de cuidados primários para a saúde da visão em diversos países, entre eles Portugal”. E acrescenta: “Esta integração é fundamental para assegurar mais e melhor prevenção, deteção precoce, tratamento e reabilitação dos problemas que afetam a nossa visão, ao mesmo tempo que a distribuição das diversas classes profissionais que prestam cuidados para a saúde da visão, entre elas os optometristas formados pelas universidades públicas portuguesas, deveria respeitar as necessidades da população”.
O relatório revela ainda que mais de 2.2 mil milhões de pessoas têm deficiência visual, sendo que mil milhões desses casos poderiam ter sido prevenidos ou tratados.
O relatório completo pode ser consultado através do site da OMS: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/328717/9789241516570-eng.pdf

Sobre a APLO
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) representa os Optometristas, a maior classe profissional de prestadores de cuidados para a saúde da visão, em Portugal. Atualmente conta com cerca de 1.216 membros. A APLO é membro Fundador da Academia Europeia de Optometria e Ótica, membro do Conselho Europeu de Optometria e Ótica e membro do Conselho Mundial de Optometria. Para mais informações, consulte: www.aplo.pt

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Cuidados redobrados com a saúde da visão das crianças em idade escolar

Artigo de Opinião de Raúl de Sousa, Optometrista e Presidente da APLO
Cuidados redobrados com a saúde da visão das crianças em idade escolar
Boa visão é essencial para que as crianças se possam desenvolver e atingir todo o seu potencial. A sua importância abrange diversas instâncias da vida do indivíduo, que vão desde a perceção, cognição, interação social até à aprendizagem e ao desenvolvimento intelectual. Por falta de melhor referencial, uma criança pode assumir que a sua atual má visão é visão “normal”.  É por isso crucial que os adultos estejam atentos à visão das crianças e procurem analisar e comparar os vários parâmetros optométricos que permitem avaliar a visão das crianças com medidas objetivas e exatas, tal como se faz numa consulta de Optometria.
Segundo o Programa Nacional para a Saúde da Visão da Direção-Geral da Saúde, perto de 20 por cento das crianças portuguesas sofre de erros refrativos significativos. Miopia, hipermetropia, astigmatismo, ambliopia e estrabismo manifestam-se, na sua maioria, em tenra idade, e a sua adequada compensação através das lentes adequadas é possível se a deteção for feita atempadamente por um especialista dos cuidados da saúde da visão.
Porém, antes de um optometrista ou de um oftalmologista efetuar o diagnóstico, os pais, os educadores e os professores desempenham um papel crítico, dada a sua proximidade e convivência com as crianças, sendo frequentemente as primeiras pessoas a detetar dificuldades visuais nas crianças, e por isso devem estar atentos aos sinais de alerta.
A idade escolar é um período da vida da criança em que é possível observar alguns comportamentos indicativos da presença de uma alteração na visão, nomeadamente: aproximar-se muito para ler, escrever ou desenhar; durante a leitura, seguir o texto com o dedo; apresentar dificuldades de concentração; cometer erros ortográficos com frequência na cópia de textos; esfregar os olhos com muita frequência; trocar a orientação das letras; semicerrar os olhos para ver ao longe (por exemplo, para ler o que está escrito no quadro); ou queixar-se de cefaleias, dores de cabeça, ou ardor nos olhos.
Qualquer limitação à visão tem impacto significativo no rendimento escolar da criança (estudos afirmam que 75 por cento dos fracassos escolares podem dever-se a problemas de visão) e pode causar perda de visão irreversível, denominada como ambliopia, conhecida popularmente como olho preguiçoso.
Contudo, cada caso é um caso, e o tipo de sinais e sintomas depende da condição visual que afeta a criança. Desta forma, convido-o/a a conhecer um pouco melhor algumas das alterações visuais mais frequentes na infância:
Miopia: Carateriza-se por uma visão desfocada dos objetos situados ao longe e visão mais nítida dos objetos próximos. Na presença desta condição, as imagens dos objetos situados a mais de cinco metros atingem a retina de forma desfocada, dado que o foco da imagem se encontra antes da retina.
Hipermetropia: É um erro refrativo que, apesar de estar relacionado com um problema de focagem em visão de longe, produz as suas consequências mais significativas na visão de perto. Esta condição visual consiste no estado de refração ocular em que um feixe de raios de luz paralelos, proveniente dos objetos situados ao longe, ao atravessar a córnea, foca-se e forma uma imagem para além da retina.
Astigmatismo: É um erro refrativo caraterizado pela variação de potência refrativa ao longo dos diferentes meridianos do olho. Implica que há determinados pormenores da imagem que estarão mais desfocados do que outros. Os efeitos produzidos variam consoante a gravidade. Nos casos que apresentam pequeno grau astigmático, podem não surgir efeitos típicos, havendo apenas astenopia, cansaço visual com esforço prolongado de visão, uma vez que a pessoa tenta obter uma imagem mais nítida com maior tempo de fixação. Entre diversos outros efeitos, são também comuns fotofobia, a dificuldade de encarar a luz, bem como irritação conjuntival acompanhada de picadas.
Ambliopia: Também conhecida por «olho preguiçoso», esta condição consiste na diminuição da acuidade visual de um ou dos dois olhos, não melhorável com óculos ou lentes de contacto, devido a problemas no desenvolvimento da visão, e afeta principalmente as crianças. Uma diferença significativa na qualidade de visão entre os dois olhos é um sinal fortemente associado à ambliopia unilateral. A dificuldade em ler um livro ou realizar tarefas visuais simples, mesmo com recurso a óculos ou lentes de contacto, são sinais associados à ambliopia bilateral.
Estrabismo: Consiste na incapacidade de fixar os dois olhos com a visão central, simultaneamente, no mesmo objeto. Um sinal típico é um evidente desalinhamento entre os dois olhos, embora haja casos onde o desalinhamento não é evidente. Os olhos devem estar orientados para o mesmo ponto de fixação, em todas as posições e movimentos. Se os olhos não se dirigem exatamente para o mesmo ponto de fixação, o cérebro perceciona duas imagens do mesmo objeto, que não consegue fundir, e a criança acaba por ter visão dupla. Para além de impedir a perceção tridimensional, o estrabismo pode levar a que o olho desviado perca ou não desenvolva função visual.
Os cuidados com a saúde da visão estendem-se a qualquer criança.
Apesar de existir um especial cuidado com a saúde da visão das crianças que apresentam alguma alteração da visão, importa não esquecer que é estritamente necessário que se tomem medidas preventivas para o desenvolvimento de condições visuais ou doenças oculares em idades posteriores. Desta forma, toda a família deve seguir as seguintes recomendações:
·        Iluminar a divisão da casa sempre que a criança está a estudar ou a utilizar um dispositivo tecnológico, de modo a reduzir o esforço visual;
·        Garantir que a criança esteja a uma distância adequada da televisão, smartphone, computador, tablet, etc.;
·        Fazer pausas, olhando para longe, para descansar a visão a cada hora;
·        Regularmente comparar a visão entre os dois olhos da criança;
·        Sempre que sair à rua, utilizar óculos de sol com uma correta proteção contra raios ultravioleta;
·        Não utilizar o telemóvel antes de ir dormir ou quando estiver na cama;
·        Dormir o número de horas recomendado, para garantir o descanso da visão;
·        Consultar regularmente um optometrista ou um oftalmologista.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Dia Europeu do Ex-Fumador assinala-se a 26 de setembro

Artigo de Opinião de Alfredo Martins, Internista e Coordenador do NEDResp

Dia Europeu do Ex-Fumador assinala-se a 26 de setembro

Ex-fumadores: vencedores incontestáveis

A Maria Isabel tem 46 anos e é, há nove anos, uma ex-fumadora de mais de 20 cigarros por dia durante cerca de 20 anos. Continua a marcar uma consulta por ano e, em cada consulta, eu continuo a felicitá-la, com grande entusiasmo, por ter deixado de fumar em definitivo.

Mas, em cada consulta, ela continua a contar-me que sente muito a falta do cigarro depois do café, depois das refeições, quando conversa com amigos ou familiares, quando se sente mais ansiosa ou pressionada: “E o prazer que sentia com o cigarro na mão, ao acendê-lo, o cheiro a tabaco queimado? Nada substituiu, nem me faz esquecer esse prazer.”

Lembra ainda que quando fumava tinha menos apetite, se sentia mais excitada e bem-disposta e tem a sensação de que o seu intelecto funcionava melhor. Claro que concorda que estes efeitos do tabaco duravam pouco tempo e que precisava de continuar a fumar para que persistissem, e que sentia necessidade de fumar cada vez mais para obter os mesmos efeitos. Também nunca se esqueceu que a fase mais difícil, depois de abandonar o consumo, foram os primeiros dois meses, em que sentiu as consequências da dependência da nicotina motivada pelo hábito prolongado de fumar, praticamente todos os sintomas de abstinência: ânsia de fumar, irritabilidade, aumento do apetite, melancolia, alteração do sono, diminuição da capacidade de raciocínio e de concentração e ansiedade.

Em vários momentos sentiu uma enorme vontade de voltar a fumar. Com ajuda clínica resistiu e não quer voltar a passar por isso. Reconhece a nicotina como uma droga que provoca dependência física, provavelmente tão intensa como a dependência da heroína e da cocaína, o que torna muito difícil suspender o seu consumo, e concorda que se deve considerar a dependência da nicotina uma doença que precisa de ser diagnosticada e tratada.

Mas sabe também que as consequências do consumo do tabaco vão para além da dependência da nicotina, são devidos a outros ingredientes do tabaco e que os principais riscos do consumo do tabaco se manifestam a longo prazo. E lembra que, nove anos depois de deixar de fumar, além de sentir que respira melhor e de já não tossir, o risco de sofrer de enfarte agudo do miocárdio, de acidente vascular cerebral, de cancro da boca, de cancro da garganta, de cancro do esófago, de cancro do pâncreas e de cancro da bexiga já está próximo do risco de quem nunca fumou. Sabe também que o seu risco de morte por cancro do pulmão é agora aproximadamente metade do risco que teria se continuasse a fumar. Sabe que deixou de ter um risco aumentado de infeção respiratória e pneumonia. Também não tem vontade de voltar a contribuir para que todos estes riscos aumentem e por isso não vai voltar a fumar.

Para reforçar as vantagens de não voltar a fumar, nesta altura da consulta voltamos a falar sobre as consequências do consumo do tabaco. O tabaco contribui significativamente para as principais causas de morte no mundo (doença isquémica cardíaca; doença vascular cerebral; doença pulmonar obstrutiva crónica; pneumonia; cancro do pulmão; diabetes mellitus; tuberculose), e mais de metade dos fumadores morrem por doença relacionada com o consumo do tabaco. É conhecido que os fumadores vivem em média menos cerca de 11 anos que os não fumadores e que o seu risco de morrer até aos 60 anos é 6 por cento superior, até aos 70 anos é 15 por cento superior e até aos 80 anos 32 por cento superior ao dos não fumadores.

Fumar aumenta a probabilidade de desenvolver doenças crónicas que prejudicam a qualidade de vida, como doença respiratória crónica (bronquite crónica; enfisema pulmonar; doença pulmonar obstrutiva crónica; bronquiectasias), doença cardiovascular crónica (insuficiência cardíaca; insuficiência arterial periférica), doença cerebral (acidente vascular cerebral; demência), doenças da boca (gengivites; periodontites; cáries; perda de dentes; alteração da coloração dos dentes), osteoporose, diminuição e perda de visão, envelhecimento precoce da pele, redução da fertilidade feminina e impotência. O tabaco aumenta o risco de cancro respiratório (nariz; garganta; pulmão), digestivo (esófago; estômago; pâncreas; fígado; cólon), ginecológico (colo do útero; ovário), urinário (bexiga; próstata; rim; ureter) e da medula óssea.

A história da Maria Isabel e o conhecimento dos efeitos do consumo do tabaco explicam porque é que o tabaco é uma armadilha fatal, mas sobretudo obrigam a que se reconheça a dificuldade que é deixar de fumar, apesar do conhecimento das suas graves consequências, e se valorize a vitória dos ex-fumadores sobre a dependência da nicotina, a grande responsável pela dependência do tabaco. O dia 26 de setembro é, com toda a justiça, o Dia Europeu do Ex-Fumador.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Más posturas no trabalho aumentam o risco de lombalgia

Artigo de opinião de Miguel Casimiro, neurocirurgião e presidente da SPPCV
Más posturas no trabalho aumentam o risco de lombalgia
Setembro é o mês do regresso ao trabalho. Após alguns dias ou semanas de férias voltamos ao nosso local de trabalho com uma nova energia, mas há coisas que tendem a não mudar: os maus hábitos. Falo especificamente dos comportamentos ou posturas incorretas que acarretam consequências para a nossa coluna, entre elas a lombalgia.
Comumente conhecida como “dor nas costas”, a lombalgia carateriza-se por uma dor, tensão ou desconforto na região lombar inferior (área da coluna próxima da bacia), com ou sem irradiação para os membros inferiores. Estima-se que perto de 80 por cento das pessoas tenham pelo menos um episódio de dor lombar ao longo da sua vida, podendo esta ser causada por uma doença da coluna (na sua maioria degenerativa, como é o caso da osteoporose), por um acidente, por esforço, por más posturas, entre outros.
Existem três tipos de lombalgia: a lombalgia aguda, que ocorre quando a dor intensa surge subitamente e tem uma duração máxima de 6 semanas; a lombalgia subaguda, em que a dor permanece entre 6 a 12 semanas; e a lombalgia crónica, na qual a dor se agrava e tem uma duração superior a 12 semanas.
A sua classificação é importante para a adequação do tratamento, que inclui, sobretudo, repouso, administração de medicação anti-inflamatória e sessões de fisioterapia. Só em casos muito raros e crónicos é feita uma intervenção cirúrgica.
O local de trabalho é um dos principais fatores de risco.
As dores nas costas surgem muitas vezes como consequência do trabalho diário que executamos. Por um lado, existem profissões que implicam um esforço físico elevado, sobretudo na carga de objetos pesados. Por outro lado, a maioria das profissões implicam estar sentado em frente a uma secretária pelo menos 8 horas por dia, de forma contínua e com posturas pouco corretas para a saúde da nossa coluna. A acrescentar a estes fatores estão ainda o stress relacionado com o trabalho, a ansiedade, a depressão, o processo de envelhecimento, o sedentarismo, a obesidade e o tabagismo.
Apesar de passageira na maioria dos casos, a lombalgia manifesta-se de forma intensa e até mesmo incapacitante, prejudicando a qualidade de vida e de trabalho da pessoa. Para além disso, esta dor é também uma das principais causas de ida ao médico e ausência do trabalho.
Melhorar a postura reduz o risco de sofrer de lombalgia.
O primeiro passo para combater a lombalgia é a sua prevenção. Apesar de não conseguirmos evitar na totalidade o seu aparecimento, é possível reduzir o risco através da correção dos seguintes fatores: adotar uma alimentação saudável, por forma a controlar o seu peso; praticar atividade física regularmente, com caminhar, correr, andar de bicicleta ou fazer natação; fazer exercícios como o yoga, que ajudam a fortalecer a musculatura vertebral, a promover a elasticidade, e a reduzir os níveis de stress; e não fumar.
Já no local de trabalho, deverá mudar alguns dos seus comportamentos e corrigir a postura:
  • Evite carregar com pesos muito elevados e, quando tiver de mover objetos pousados no chão, opte por fletir as pernas ao invés de dobrar as costas;
  • Quando está sentado, mantenha a coluna direita e encostada às costas da cadeira, sem esquecer que os pés devem estar pousados no chão e os joelhos deverão estar fletidos num ângulo de 90°;
  • Se trabalha com um computador, coloque o monitor ao nível dos olhos e à distância do comprimento do braço;
  • Coloque o teclado e o rato perto de si, assim como outros objetos que utiliza com frequência;
  • Se tiver de trabalhar e falar ao telefone em simultâneo, use um par de auscultadores ou auriculares, de modo a evitar segurar o telemóvel ou telefone entre o ombro e a cabeça;
  • Para evitar estar na mesma posição durante muito tempo, levante-se a cada hora, e aproveite para fazer alguns alongamentos (o mesmo se aplica para as profissões que requerem uma condução automóvel contínua);
  • No caso das mulheres, evite ao máximo a utilização de calçado com salto alto;
  • Quando caminhar, mantenha a cabeça e o tronco direitos e distribua o peso de igual forma pelas duas pernas.

Sobre a SPPCV
A Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, fundada em 2003, é uma associação científica, sem fins lucrativos. Tem por objeto a promoção, o estudo, a investigação e a divulgação das questões inerentes à problemática da prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias da coluna vertebral. Para mais informações consulte http://sppcv.org/

Sente dor no joelho ao pedalar ?

O joelho é, sem dúvida, a articulação do corpo mais exigida durante o pedal. Considerado o calcanhar de Aquiles dos ciclistas, é preciso sempre estar atento a dores localizadas. Elas possivelmente são indício de algum problema que, se não tratado prontamente, pode se tornar crônico devido ao esforço repetitivo. É o caso da condromalácia patelar, uma das lesões mais comuns em joelhos de ciclistas. A seguir, o dr. Moisés Cohen, chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo e diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte, explica o que é e como prevenir a dor no joelho ao pedalar.

O QUE É

A condromalácia ou condropatia patelar é uma lesão crônica e degenerativa que danifica a cartilagem articular da patela, comprometendo sua estrutura. Ela pode acometer desde a superfície até as camadas mais profundas, chegando até a exposição do osso subcondral (osso abaixo da cartilagem).

DIAGNÓSTICO

A lesão é caracterizada por dor na região anterior do joelho, associada à crepitação (barulho no joelho) e/ou ao derrame articular — nos casos mais avançados, pode haver bloqueio da articulação. A partir do sintoma, deve-se fazer a avaliação clínica, com auxílio de ressonância, que detalha a localização, extensão e profundidade da lesão.

CAUSAS

A sobrecarga de atividade física, o desequilíbrio muscular por falta de fortalecimento e alongamento, os desvios de eixo do membro inferior (joelhos para dentro ou joelho valgo) e a presença de alterações na anatomia normal do joelho são fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento da condromalácia patelar.

TRATAMENTO

O tratamento, na maioria dos casos, é conservador. Indica-se fisioterapia especializada e um posterior trabalho de fortalecimento e alongamento muscular específico para o problema. A intervenção cirúrgica só é necessária em casos avançados da lesão, nos quais não se obteve boa resposta com o tratamento conservador.

PREVENÇÃO

A prevenção deve ser feita com a identificação e correção — quando possível — dos fatores de risco. Além disso, exercícios de fortalecimento e alongamento muscular, quando frequentes e direcionados, contribuem para evitar a lesão ou sua progressão — nesse caso, é fundamental que eles sejam orientados levando em conta os déficits encontrados na avaliação feita pelo fisioterapeuta.

Fortalecimento

Exercícios para o fortalecimento da musculatura abdominal e do quadril são muito importantes, pois auxiliam na estabilidade do tronco e da bacia, o que interfere diretamente na posição dos joelhos. Assim, devem-se fortalecer glúteos, isquiotibiais (posteriores da coxa) e adutores, além dos abdominais e dos músculos ao redor da cintura.

Deite-se de costas no chão, com os joelhos flexionados e os pés apoiados no solo, seguindo a largura do quadril. Os braços devem ficar estendidos ao lado do tronco, com as palmas das mãos voltadas para baixo. Estenda o quadril, elevando primeiro a lombar e depois o tronco. Após estendido, o quadril deve ficar numa linha reta em relação ao tronco e às pernas — sem ultrapassar essa linha —, de modo que o peso do corpo se concentre no abdômen, glúteo e isquiotibiais. Depois, retorne à posição inicial, apoiando novamente o tronco no solo, mas sem deixar a lombar encostar no chão. Realize três séries de 15 repetições do movimento, com descanso de 30 segundos entre as séries — se estiver muito fácil, a dica é colocar peso extra sobre o abdômen para dificultar.
Deite-se de costas no chão, com os joelhos flexionados e pés apoiados no solo, seguindo a largura do quadril. Coloque uma bola de borracha entre os joelhos (pode ser uma almofada ou travesseiro de espuma) e mantenha-a pressionada por 10 segundos. Repita esse procedimento por cinco vezes.

De pé, mantenha uma das pernas levemente flexionada. Tire o outro pé do chão, flexionando o joelho cerca de 30° — é importante não inclinar a bacia nem girar o joelho. Mantenha a posição por 30 segundos. Repita dez vezes intercalando as pernas (cinco vezes para cada lado).



Alongamento 

Os exercícios de alongamento devem abranger todos os grupos musculares dos membros inferiores — flexores, extensores, adutores e abdutores — e de preferência ser feitos com orientação de um profissional.

Sente-se no chão, flexione as pernas e junte as solas dos pés. Com os cotovelos, pressione os joelhos em direção ao chão o máximo que puder. Chegando ao seu limite, segure a posição por 30 segundos. 


Sente-se no chão, flexione uma das pernas por cima da outra estendida. Com o cotovelo do braço oposto, empurre o joelho para o lado contrário da perna, até o limite, e segure a posição por 30 segundos. Repita com a outra perna. 


Em pé, mantenha as pernas esticadas e incline o tronco para baixo, segurando os joelhos com as mãos. Se tiver maior flexibilidade, tente encostar as mãos nos pés ou mesmo no chão. Chegando ao seu limite, segure a posição por 30 segundos.  



Fique de pé sobre uma das pernas — pode ser apoiado na parede ou em outro suporte — e flexione a outra perna, puxando o respectivo pé com a mão do braço oposto, até sentir alongar a região anterior da coxa (quadríceps). Chegando ao seu limite, segure a posição por 30 segundos. Repita o procedimento com a outra perna. 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

APLO defende criação de plataforma para referenciar doentes com os oftalmologistas

APLO defende criação de plataforma para referenciar doentes com os oftalmologistas
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) defende a necessidade de serem implementadas soluções que permitam a redução do tempo de espera para consultas de Oftalmologia no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Uma dessas medidas passa pelo desenvolvimento de uma plataforma de referenciação entre optometristas e oftalmologistas baseada em cloud.
“No Moorfields Eye Hospital, no Reino Unido, foi estudado o efeito da implementação de uma plataforma de referenciação entre especialistas de Optometria e Oftalmologia baseada em cloud, com o propósito de evitar referenciações desnecessárias para os cuidados secundários”, afirma Raúl de Sousa, presidente da APLO.
Relativamente aos resultados desta investigação, o optometrista revela que “se verificou ser possível evitar mais de metade das referenciações realizadas, tendo sido as condições resolvidas ao nível dos cuidados primários”.
E acrescenta: “a cooperação entre optometristas e oftalmologistas é essencial para oferecer uma prestação de cuidados para a saúde da visão com qualidade, segurança e de forma atempada. Esta cooperação tem a vantagem de rentabilizar os recursos humanos existentes, aplicando-os nas suas áreas de ação de excelência, capitalizando as diferenças e particularidades da sua formação específica”.
Segundo o mais recente Relatório Anual de Acesso aos Cuidados de Saúde nos Estabelecimentos do SNS e Entidades Convencionadas referente ao ano de 2018, a Oftalmologia está entre as especialidades hospitalares que ultrapassam em maior medida os tempos máximos de espera para consultas.
Perante este cenário, já apontado no início do ano por um estudo da Nova Healthcare Initiative – Research, da Universidade Nova de Lisboa, no qual se concluiu que o tempo de espera para uma consulta de Oftalmologia no SNS está entre os seis meses e aproximadamente três anos, a direção da APLO reitera que “a redução significativa é possível apenas com a introdução de uma plataforma informática de referenciação entre optometristas e oftalmologistas, o que constituiria uma evolução significativa na prestação de cuidados para a saúde da visão em Portugal, assim como integrando os optometristas nos cuidados primários do SNS, tal como indicam os estudos mencionados”.
Mais informações sobre o estudo Moorfields Eye Hospital podem ser consultas em: https://bjo.bmj.com/content/early/2019/07/18/bjophthalmol-2019-314161

Sobre a APLO
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) representa os Optometristas, a maior classe profissional de prestadores de cuidados para a saúde da visão, em Portugal. Atualmente conta com cerca de 1.203 membros. A APLO é membro Fundador da Academia Europeia de Optometria e Ótica, membro do Conselho Europeu de Optometria e Ótica e membro do Conselho Mundial de Optometria. Para mais informações, consulte: www.aplo.pt

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