quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Viagens prolongadas de avião aumentam risco de tromboembolismo venoso




NEDVP dá recomendações para prevenir a formação de coágulos sanguíneos
Viagens prolongadas de avião aumentam risco de tromboembolismo venoso
O Núcleo de Estudos de Doença Vascular Pulmonar (NEDVP) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) alerta a população para o aumento do risco de sofrer tromboembolismo venoso durante e após viagens de avião de longa distância. Estima-se que, anualmente, 3,2 em cada 1000 pessoas expostas a este cenário sofram deste problema.
“Sabe-se que o risco de desenvolver um tromboembolismo venoso é maior quando a viagem tem uma duração superior a quatro horas e nas duas semanas imediatamente a seguir à viagem, reduzindo progressivamente até às oito semanas seguintes”, destaca Ana Oliveira Gomes, membro do secretariado do NEDVP.
Segundo a internista, “as viagens longas favorecem esta condição, que inclui a embolia pulmonar e a trombose venosa profunda. A trombose venosa profunda ocorre quando se forma um trombo ou coágulo sanguíneo nas veias das pernas. Se esse coágulo se desprende ou fragmenta pode deslocar-se até aos pulmões e provocar uma embolia pulmonar”.
São fatores de risco para este problema de saúde história de tromboembolismo venoso prévio, neoplasia ativa, cirurgia ou trauma recentes, mobilidade reduzida, idade avançada, trombofilia, gravidez e período pós-parto, uso de medicação com estrogénios, como a pílula ou terapêutica hormonal de substituição na menopausa, altura maior a 1,85 metros ou inferior a 1,65 metros, e obesidade.
Para prevenir o desenvolvimento de um tromboembolismo venoso, o NEDVP deixa algumas recomendações que devem ser adotadas durante uma viagem de avião: “levantar-se e caminhar a cada uma ou duas horas; exercitar-se ou esticar as pernas com regularidade; evitar roupa apertada; beber água e evitar o consumo de álcool ou comprimidos sedativos”.
O Núcleo de Estudos de Doença Vascular Pulmonar tem desenvolvido nos últimos anos diversos materiais de educação sobre o tromboembolismo venoso dirigidos à população. Estes podem ser consultados em: https://www.spmi.pt/nucleo-estudos-doenca-vascular-pulmonar/

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Optometristas alertam para a importância de consultas da visão regulares

Campanha conta com a colaboração de municípios, escolas e universidades
Optometristas alertam para a importância de consultas da visão regulares
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) está a sensibilizar a população para a importância dos cuidados primários para a saúde da visão, através de uma campanha que conta com o apoio de cinco câmaras municipais e nove instituições de ensino secundário e superior.
Segundo Raúl de Sousa, presidente da APLO, “o lançamento desta campanha surge da necessidade de alertar as pessoas para as principais condições visuais e doenças oculares, bem como para as vantagens de realizar consultas da visão regularmente, sendo o seu principal benefício a deteção e tratamento precoces de diversos problemas da visão”.
Sobre a escolha das autarquias como ponto estratégico de divulgação desta campanha,  a APLO refere que “estas representam um ponto de contacto próximo com as populações locais, entre elas a população idosa, que atualmente representa um grupo de risco para o desenvolvimento de doenças como as cataratas, o glaucoma ou a degeneração macular relacionada com a idade, para além do facto de todos necessitarem de óculos para melhorar a visão devido à presbiopia ou dificuldade em visão de perto, que surge normalmente após os 45 anos”.
Por outro lado, acrescenta, “as escolas tornam-se pontos cruciais de promoção da saúde pública, onde se deve apostar fortemente na sensibilização das crianças e jovens, mas também dos professores e encarregados de educação, por forma a estarem atentos aos sinais de alerta para condições visuais que surgem, normalmente, nas primeiras duas décadas de vida, tais como a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo, entre outras”.
Esta campanha, que é apresentada com o mote “Uma boa visão exige o olhar de um profissional”, visa também promover o papel dos optometristas na prestação de cuidados primários da saúde da visão, sendo estes normalmente o primeiro ponto de contacto para a população que sofre de problemas da visão.

Sobre a APLO
A Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO) representa os Optometristas, a maior classe profissional de prestadores de cuidados para a saúde da visão, em Portugal. Atualmente conta com cerca de 1.203 membros. A APLO é membro Fundador da Academia Europeia de Optometria e Ótica, membro do Conselho Europeu de Optometria e Ótica e membro do Conselho Mundial de Optometria. Para mais informações, consulte: www.aplo.pt
Lista de câmaras municipais parceiras da campanha:
Câmara Municipal de Castelo de Paiva
Câmara Municipal da Mealhada
Câmara Municipal de Porto de Mós
Câmara Municipal de Proença-a-Nova
Câmara Municipal de Silves

Lista de instituições de ensino parceiras da campanha:
Agrupamento de Escolas de Santa Bárbara
Escola de Ciências da Universidade do Minho
Escola Secundária de São Pedro da Cova
Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores
Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda
Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto
NOVA Medical School - Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa
Universidade da Beira Interior
Universidade do Algarve

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O calor aumenta, e o risco de desenvolver pé de atleta também

Artigo de opinião da Dra. Fátima Carvalho, podologista responsável pelo Centro Clínico do Pé de Amarante

Ozonoterapia promove a rápida diminuição dos sintomas de infeções nos pés

O calor aumenta, e o risco de desenvolver pé de atleta também

O verão traz consigo um maior risco de infeções dos pés, de elevado grau de contágio, como é o caso do pé de atleta. Aproveite o sol e o calor, faça praia, vá à piscina, mas não se esqueça de redobrar os cuidados com os seus pés, uma vez que os ambientes húmidos são propícios ao desenvolvimento de infeções contagiosas causadas por fungos.

O pé de atleta é uma infeção provocada pelos denominados fungos “dermatófitos” e pode transmitir-se facilmente através do contacto com superfícies ou objetos contaminados. Chuveiros públicos, piscinas e balneários são locais onde é frequente contrair esta infeção. Para além disso, a partilha de objetos pessoais, como calçado, toalhas, lençóis e roupa, é também um comportamento de risco que deve ser evitado.

Existem três tipos principais de pé de atleta: o vesicular, a forma mais grave e menos comum, em que se formam pequenas bolhas no dorso (peito) e na planta do pé, que podem rebentar e causar feridas; a forma plantar, que afeta, como o próprio nome indica, a planta do pé, mas também o calcanhar e a zona lateral; e o interdigital, o tipo mais comum, que ocorre nos espaços entre os dedos.

Estima-se que cerca de 15 a 25 por cento da população já tenha desenvolvido pé de atleta pelo menos uma vez na vida. Os desportistas são o grupo em que a infeção regista maior incidência, uma vez que utilizam balneários e chuveiros públicos com maior frequência.

Para prevenir este problema, a primeira recomendação passa por proteger-se enquanto utiliza os espaços referidos anteriormente. Para isso ser possível, evite andar descalço nestes ambientes, optando por utilizar chinelos ou sandálias.

Para além disto, tenha sempre o cuidado de: secar muito bem os pés, especialmente entre os dedos; lavar frequentemente as toalhas; usar meias limpas todos os dias e mudá-las, se estiverem húmidas ou depois de fazer desporto; optar por calçar meias de seda, lã ou algodão com extratos de algas e sais de prata, pois proporcionam elevado conforto e proteção ativa para os seus pés, sendo também indicadas para quem apresenta excessiva transpiração (fator proporcionador do desenvolvimento de fungos e bactérias).

Mas não se deixe enganar se pensa que os cuidados se aplicam somente fora de casa. Quando estiver no conforto do seu lar: tire os sapatos e deixe os pés “respirar”; lave frequentemente as toalhas; e, sempre que possível, calce sandálias ou sapatos feitos de materiais orgânicos sustentáveis, tais como cascas de maçã orgânica e cortiça (o couro e a lona também são boas opções).

Como em qualquer problema de saúde, uma deteção precoce é essencial para um tratamento mais fácil, rápido e eficaz. Esteja atento aos sintomas e não os ignore! São eles a comichão, vermelhidão, inflamação, descamação da pele, fissuras, mau cheiro, pele esbranquiçada e frágil e pele mais dura e grossa na planta do pé.

Uma vez adquirida a infeção, tenha cuidado com os outros, de forma a evitar a sua propagação. Mantenha os pés protegidos, lembre-se de usar toalhas diferentes para os pés e lave sempre as mãos depois de aplicar qualquer medicamento, para que a infeção não passe para outras partes do corpo.

Atualmente, a ozonoterapia podal é um dos métodos terapêuticos mais eficazes no tratamento do pé de atleta. Através da colocação de uma bolsa de ozono, o paciente começa rapidamente a sentir melhorias ao nível do alívio dos sintomas.

Caso detete alguns dos sintomas de pé de atleta, consulte um podologista, para que este possa fazer um correto diagnóstico e avaliar qual o tratamento mais adequado para si.



Sobre o Centro Clínico do Pé de Amarante

O Centro Clínico do Pé de Amarante, localizado na Unidade de Cuidados Integrados da Santa Casa da Misericórdia deste concelho, tem como missão proporcionar um serviço de excelência na prestação de cuidados de podologia que garantam a saúde e bem-estar do pé. Para mais informações, consulte: http://centroclinicodope.pt/

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Mergulhos podem causar lesões permanentes na coluna vertebral

Campanha alerta para o risco de acidentes nas piscinas e praias

Mergulhos podem causar lesões permanentes na coluna vertebral

A Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV) está a promover uma campanha de sensibilização para o risco de lesões na coluna vertebral associado à prática de mergulhos nas piscinas e praias.

“Há saltos que podem mudar a tua vida. Protege a tua coluna!” é o mote desta iniciativa que está disponível nas redes sociais através de um vídeo que apresenta os dez conselhos que as pessoas devem seguir para prevenir este tipo de acidentes.

Para Miguel Casimiro, neurocirurgião e presidente da SPPCV, “o principal objetivo com o lançamento desta campanha é de alertar a população para os comportamentos de risco que podem levar a acidentes de mergulho, uma das principais causas de lesão na coluna vertebral, sobretudo nos jovens com menos de 35 anos”.

Sobre a escolha de um vídeo para redes sociais como a principal plataforma de divulgação desta iniciativa, o especialista refere que “é a opção mais óbvia, pois não só é uma forma dinâmica de levar o público-alvo desta campanha a pensar sobre o tema e, sobretudo, a reter as nossas recomendações que, quando seguidas, podem fazer toda a diferença na sua saúde, uma vez que uma vítima de um acidente de mergulho pode sofrer uma lesão modular grave, a qual pode levar a incapacidade ou à morte”.

As lesões na coluna derivadas de mergulhos ocorrem geralmente quando a cabeça bate no solo ou numa rocha. Além da baixa profundidade do local ou dos comportamentos de risco, estes acidentes podem estar relacionados com uma postura incorreta durante a execução do mergulho.

Em caso de presenciar um acidente e/ou suspeitar de uma lesão da coluna, a SPPCV alerta para a necessidade de contactar de imediato o 112 e de não mover a pessoa, pois qualquer movimento na vítima pode causar danos maiores e permanentes.


sexta-feira, 26 de julho de 2019

É preciso fazer mais e melhor se quisermos erradicar a hepatite C até 2030


Artigo de Opinião de Arsénio Santos, Internista e Coordenador do NEDF
Dia Mundial das Hepatites assinala-se a 28 de julho
É preciso fazer mais e melhor se quisermos erradicar a hepatite C até 2030
Celebra-se, a 28 de julho, o Dia Mundial das Hepatites, data em que pessoas e organizações de todo o mundo unem esforços para sensibilizar a população e os decisores para a importância destas doenças. É a oportunidade para exigir a adoção de estratégias para o diagnóstico do maior número de casos e o acesso ao tratamento para todos, incluindo os mais vulneráveis e marginalizados.
Existem cinco tipos de hepatite viral (A, B, C, D e E) mas as hepatites B e C são as mais importantes, pois evoluem para a cronicidade, constituindo um grave problema de saúde pública. Tratam-se de infeções provocadas por vírus que são transmitidos através da exposição ao sangue ou fluidos corporais de uma pessoa infetada.
Estes vírus afetam o fígado, podendo provocar inflamação, cirrose e, nalguns casos, cancro hepático. À escala mundial, as hepatites virais causam todos os anos a perda de 1,4 milhões de vidas, mas apesar do seu impacto, calcula-se que nove em cada dez pessoas com a doença desconheçam estar infetadas.
Estima-se que na União Europeia a prevalência seja de 0,9 por cento para a infeção pelo vírus da hepatite B e de 1,1 por cento para o vírus da hepatite C, o que corresponde à existência de 4,7 milhões e de 5,6 milhões de infetados, respetivamente. Em Portugal, o número real de casos não é conhecido, mas o número de infetados por cada um destes vírus poderá aproximar-se dos 100 mil. Alguns milhares de casos foram já identificados e sujeitos a tratamento, mas sabemos que existem ainda muitos casos não diagnosticados, tanto de hepatite B como de hepatite C.
O número de novos casos de hepatite B tem vindo a diminuir ao longo dos anos, fruto da vacinação universal de todos os recém-nascidos, implementada no nosso país há cerca de 20 anos, sendo certo que alguns anos antes fora iniciada a vacinação dos adolescentes na faixa etária dos 11 aos 13 anos. Já para a hepatite C não existe vacina disponível, pelo que a estratégia para a diminuição do número de novos casos se baseia na prevenção, evitando comportamentos de risco para contrair a infeção, e na identificação e tratamento dos casos de doença.
O diagnóstico precoce traz grandes benefícios para as pessoas infetadas, pois permite o tratamento antes que se instalem as lesões hepáticas, e para a saúde de toda a comunidade, já que ao eliminar o foco de infeção evita-se igualmente a sua propagação.
As hepatites crónicas são frequentemente assintomáticas. Quando existem sintomas, os mesmos são vagos e inespecíficos (fadiga, dores de cabeça, náuseas) ou surgem em fases avançadas da doença (icterícia, dor no quadrante direito do abdómen, distensão abdominal ou equimoses cutâneas espontâneas). Perante esta realidade, não é rentável que o diagnóstico seja realizado apenas quando há sintomas.
Assim, os testes de diagnóstico estão recomendados em qualquer pessoa com doença hepática e naqueles com algum risco de exposição a estes vírus, no passado ou no presente, inclusive em todos os casos em que se suspeite de alguma probabilidade, mesmo que mínima, de ter contraído a infeção.
Em Portugal, os testes de rastreio das hepatites são acessíveis através de todos os serviços de saúde, nomeadamente nos centros de saúde e nos hospitais, mas foram já legisladas medidas que facilitam o acesso aos testes, permitindo, às pessoas que os desejem realizar, recorrer diretamente às farmácias comunitárias e aos laboratórios de análises clínicas, onde poderão fazer testes de deteção rápida, sem necessidade de prévia prescrição médica. No entanto, a implementação destas medidas está a decorrer em ritmo muito lento, longe do que seria desejável.
O rastreio universal de toda a população seria a melhor forma de conseguir identificar a maioria dos casos de infeção, pois é a única que permite diagnosticar os casos em que não são reconhecidos fatores de risco ou os mesmos não são assumidos ou valorizados pelo próprio. No entanto, esta medida teria custos elevados para o Serviço Nacional de Saúde e um rendimento relativamente baixo, atendendo à baixa prevalência da infeção na população. A alternativa é o rastreio dirigido às pessoas e grupos que sabemos terem maior risco de estar infetados.
É um grande desafio conseguir identificar os portadores destes vírus em grupos populacionais em que a infeção tem elevada prevalência, mas que são de abordagem difícil, pois geralmente não procuram por sua iniciativa os serviços de saúde, como é o caso dos utilizadores ativos de drogas injetáveis. É também indispensável dar especial atenção a outros grupos vulneráveis: reclusos, trabalhadores do sexo, sem-abrigo e imigrantes. Estão em curso em todo o país iniciativas dirigidas a essas populações, indo ao encontro das pessoas em risco e oferecendo-lhes a possibilidade de rastreio e de tratamento.
Do ponto de vista de cada indivíduo infetado, é fortemente compensador o diagnóstico precoce da doença, pois todas as formas de hepatite são, atualmente, tratáveis. A hepatite C cura com tratamentos que duram, na maioria das vezes, 8 a 12 semanas. A hepatite B exige muitas vezes medicação crónica, mas que controla perfeitamente a infeção, impedindo a progressão da doença hepática.
O Dia Mundial das Hepatites é uma excelente oportunidade para divulgar o conhecimento sobre estas doenças, motivar os profissionais de saúde para aperfeiçoarem a sua prática no rastreio, diagnóstico e tratamento das mesmas, e sensibilizar as autoridades de saúde e os decisores políticos para a necessidade de alocarem os recursos indispensáveis.
No nosso país, já muito foi conseguido, mas o rastreio está ainda a ser feito de forma muito pontual, heterogénea e descoordenada, e existem alguns constrangimentos no acesso ao tratamento que, estando disponível para todos os que dele necessitarem, obriga frequentemente a tempos de espera exagerados. É preciso fazer mais e melhor, se quisermos cumprir a meta proposta pela Organização Mundial da Saúde de erradicar a hepatite C até 2030.
O reforço do rastreio nas situações já anteriormente referidas, realizando-o de forma mais sistemática e organizada para atingir o maior número possível de indivíduos no mais curto espaço de tempo, e o tratamento em tempo útil de todos os casos identificados, é indispensável à obtenção do objetivo da erradicação.

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